Quando ela pega na caneta tudo que habita seu ser se transforma em palavras, e ela um dia espera mudar o mundo com isso.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

therapy of the words



Quando alguém está com muita raiva, ou com um nível de estresse muito alto, ou até mesmo quando está muito feliz, elas de uma forma ou outra, tenta extrair esses sentimentos para fora.
 Com uma boa luta, com um desenho, com algum tipo de dança, ingirindo alguma comida, ocupando o seu tempo de alguma forma.
 Dizem por ai que liberar seus sentimentos para fora através da arte ou de um linguajar feio ou qualquer outra maneira, é como se fosse uma terapia para mente da gente, é como se fizemos uma limpeza no nosso quarto e encontrássemos até o restos do bolinho que você comeu uma semana atrás.
Eu procurei então achar uma maneira de extrair meus sentimentos, como uma boa adolescente NORMAL comecei pelos palavrões, mas percebi que não gosto tanto de falar palavrões , talvez seja pela maneira que meus pais me educaram. Então tentei na parte da arte, realmente eu adoro arte, é algo que eu não preciso me preocupar com a sujeira que irei fazer, mas é algo que precisa de muita delicadeza e muito paciência, percebi então que eu sou muito bruta e me falta paciência e acabei descobrindo que não tenho o dom para coisa. Decidi então dançar, e é realmente algo muito divertido, mas percebi que alguns tipos de dança só se fazem dentro do seu quarto na frente do espelho onde ninguém possa ver. Tentei então a musica, descobri que tenho voz de pato, e que minha coordenação motora é zero. Então resolvi que eu iria falar MUITO, e isso é a coisa que eu mais gosto de fazer falar, seja lá do que for, tinha então PENSADO que tinha descobrido minha terapia, até o fim do mês quando chegou a conta de telefone e é claro ouvir varias reclamações de todo mundo que não aguentavam mais me ouvir falar.
  Então pensei como explicar que FALAR é a coisa que eu mais gosto de fazer no mundo ? Simples não há explicação, eles não iram entender, quando tinha uns 6 anos eu me lembro de ter apanhado por não conseguir parar de falar, a partir dos 10 anos sempre escutei na escola MARIANA PARA DE FALAR, aos meus 13 anos eu me lembro das reclamações da minha irmã todos os dias aos meus pais de eu não deixar ela estudar, ou dormir ou deixar ela em paz por não parar de falar, aos meus 14 anos eu comecei a ganhar apelidos do tipo tagarela, matraca, papagaio, falante, esses tipos de apelidos para pessoas que falam BEM POUQUINHO, e por fim deis de que me conheço por gente eu falo sozinha, com o espelho, com objetos, ursos de pelúcias, amigos imaginários, fotos e até DORMINDO.
  Agora me digam, como as pessoas me entenderiam se elas NUNCA me entenderam ?
Então tentei procurar uma maneira de usar essa minha terapia de um outro jeito, talvez muda, mas como falar sem som ? Eu no 1º instante pensei em gestos, mas não foi uma boa experiência, muitas vezes as pessoas me entenderam mau com meus gestos ( é nunca ninguém acertava as minhas mímicas nas brincadeiras)
  Até que um dia descobri a minha paixão pelas PALAVRAS.
Adoro muito mesmo ainda falar, ainda falo igual uma Maritaca, mas as palavras me conquistaram de um jeito muito mais profundo, onde consigo fazer tudo que eu mais gosto, posso xingar, posso fazer arte, posso dançar, posso cantar , posso falar, enfim posso ser quem eu sou uma em duzentas mil, é a melhor forma que eu consigo me expressar, quando pego um pedaço de papel e uma caneta tudo pode se tornar realidade, posso criar historias de princesas, dragões e bruxas, posso contar realidades do meu dia-a-dia, posso expressar meus sentimentos, posso contar um momento e o mais legal é que quem lê o que eu escrevo pode sentir o que eu sinto, pode viver o que eu vivi, pode fazer parte da minha história.
     Pode parecer estranho, mas as palavras me acalmam, me deixam mais tranquila, quando escrevo minhas palavras todo o sentimento do meu peito é transferido para elas, é algo surreal, é algo magico.
   As palavras realmente me completam !
 

Mariana Maia

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